ofereceu uma rosa e falou ‘sex’ – 1114

1114 – Viajei para a Itália com uma amiga e, apesar dos avisos de algumas pessoas, o problema não foi nenhum italiano gritando asneiras no meio da rua. Parece que morreu esse hábito por lá, ou quem sabe o frio faz com eles fiquem mais quietos. Só sei que um dos ditos imigrantes ilegais, um daqueles que oferece rosas no meio da rua pra depois pedir dinheiro simplesmente se ‘encantou’ comigo e foi esse cara o problema.

Já na primeira vez que ele me viu e me ofereceu a porcaria da flor ele acabou me empurrando de leve com o ombro. Não achei nada de mais inicialmente. Claro, fiquei irritada. Mas que seja, ‘talvez não tenha sido proposital’, pensei. Acabei vendo-o de novo quando tentava entrar em um restaurante. Dessa vez ele fisicamente tentou barrar a minha passagem com o braço. Confusa, o empurrei e entrei no lugar. Ele continuou a me encarar pela porta de vidro com um olhar muito do esquisito. Já fiquei extremamente desconfortável, mas tentei ignorar.

Claro, não tinha mesa vaga e tive que esperar fora com uma amiga. E o filho da puta voltou, enfiando uma merda de rosa na minha cara. Eu falava ‘no’ repetidamente e me calei quando ele falou ‘sex’. Pensei “não é possível, eu to escutando errado.” Mas pra não deixar dúvidas ele falou de novo. E de novo. Já nem fazia mais contato visual com o idiota e minha única reação foi encarar o chão com os olhos arregalados. Estava congelada em misto de nojo e pavor. Pra piorar ele ainda começou a fazer barulhos perturbadores com a boca, me mandando beijinho. Meu Deus, tem alguma pessoa no mundo que não acha isso absolutamente nojento? Quase vomitei.

Nessa hora minha amiga estourou e gritou com ele (lembremos as duas famílias em volta que nada fizeram). Só aí tive a força pra dizer um mísero, fraco “stop.” Ele saiu e pra não ter que ver a coisa de novo decidi ir em outro local, com os olhos cheios d’água.

Fiquei com raiva de mim e do mundo. Nunca fui muito assertiva e me defender… ah, me defender eu não sei. Sair em defesa dos outros faço direitinho, mas quando sou eu a vítima, eu congelo. Porém, sendo bem sincera, ninguém deveria passar por esse tipo de situação ou se defender de babacas como esse. Que mundo bosta é esse em que alguém acha de boa fazer qualquer pessoa se sentir tão humilhada?

Pensei: acabou, né? Não.

De novo ele apareceu e de novo eu e minha amiga estávamos esperando por vaga fora de um restaurante. Minha amiga me mandou me esconder no banheiro e eu saí correndo pra dentro do local, tremendo e quase chorando. O nojento se escondia atrás de uma planta, olhando para a minha amiga, claramente reconhecendo-a. Ele passou em frente ao restaurante mais algumas vezes provavelmente tentando me ver, eu sempre me escondendo quando isso acontecia. É, fiquei em pânico e não sei porque não desisti do restaurante. Não me arrependo, no entanto. Foi uma das melhores refeições da viagem e ele acabou desistindo.

Felizmente essa foi a última vez que estive perto desse nojo. Mas ele com certeza conseguiu marcar minha vida. Duvido que vá esquecer tão cedo a cara dele ou a voz dele dizendo ‘sex, sex, sex, sex.’