os outros vieram para cima também e tentavam abrir minha calça – 861

861 – “Eu tinha uns 14 anos e frequentava o condomínio de duas colegas minhas há mais de ano todos os finais de semana. Quando comecei a andar com elas, os guris do condomínio babavam por mim e logo ficaram meus ‘amigos’ (com as intenções deles). Vendo isso, elas me contavam que eles falavam coisas horríveis de mim, da minha celulite, por exemplo, coisa que, na época, eu não me preocupava, mas depois disso, até hoje sou neurótica… Enfim, com isso, eu acho que quis me autoafirmar e fiquei com 3 guris da turminha. Um, eu quase namorei, era apaixonada por ele. Outro, foi só uma vez. E o outro, foram algumas vezes. Até então, todos, aparentemente, me respeitavam e eu levava na brincadeira quando diziam “baaah tu já ficou com fulano, fulano e fulano”, mas não me importava, eu tinha 14 anos e eu não me achava errada por isso, eu estava descobrindo a vida misteriosa dos relacionamentos.
Um tempo depois, eu comecei a cansar dos comentários das minhas “amigas”, que tentavam constantemente me humilhar e me rebaixar, fazendo eu me sentir mal com meu corpo, com minhas atitudes e tal. Então, eu comecei a evitá-las, ia menos ao condomínio, diminuí as conversas pela internet, essas coisas…
Um dia, voltei ao condomínio para passar uma tarde. Meus pais, como sempre, me buscariam lá pelas 19h. Nós passamos a tarde inteira andando pelo condomínio, sentando embaixo das árvores, passando o tempo assim, depois chegaram os outros guris. Aí alguém (não lembro quem) teve a ideia de irmos para a casa de um dos guris, o que era normal fazermos, não na casa daquele guri, mas nós sempre andávamos pulando de casa em casa. Aí fomos direto para o quarto dele, éramos eu, essa minha “amiga” e mais 3 guris (eu acho). Ficamos vendo vídeo no youtube e ouvindo música. Eu não vi maldade alguma naquilo, mas, como já estava ficando noite, eu tinha medo de que meus pais chegassem e eu não tivesse na casa da guria, fora isso, era normal.
Lá pelas tantas, não me lembro como começou (hoje vejo que, durante todos esses anos – tenho quase 21 anos – eu tentei apagar isso dentro de mim e só há uns 2 anos atrás aceitei isso como tentativa de estupro) um dos guris pulou para cima de mim, tentando me agarrar, me beijar, os outros vieram para cima também e tentavam abrir minha calça. Eu fiquei ali, relutando contra aquilo. Fechava minha calça, abaixava minha blusa, levantava minha calça, tentava me recompor daquilo. Alguém apagou a luz. Eles me jogavam na cama e contra a parede, tentavam insistentemente me beijar, mas eu botava a mão na boca e socava eles, batia na cara deles (ou ao menos tentava). Quando, por um segundo, alguém acendeu a luz, eu vi minha “amiga” parada perto da porta rindo e eu pedi que ela me socorresse, mas foi em vão. Meus pais buzinaram na frente da casa do guri (que era frente da casa da minha “amiga” também) e, então, eles pararam. Eu saí desesperada, não pelo que tinha acontecido, mas por medo do que meus pais iam falar por saber que eu estava na casa de outra pessoa.
Fiquei uns dias pensando naquilo, mas depois tentei apagar da minha memória. Quando, em 2012, namorei um guri que conheci em Porto Alegre, mas morava naquele condomínio, as lembranças voltaram. Ele queria passear pelo condomínio nos dias de sol, mas eu queria ficar em casa, o que dava muitas discussões. Ele sabia que eu tinha ficado com 3 guris dali, sabia das minhas andanças. Então, depois de tanta discussões, eu resolvi contar a ele o que tinha acontecido e, no final, eu me liguei “Eu quase fui estuprada!” e foi isso que disse para ele. Sabem o que ele me falou? Deu uma risadinha do tipo “pfff” e disse “também né, quem mandou ficar com tantos caras aqui? Quem mandou ir pra casa do guri?” Eu namorei um idiota machista.
Esses tempos contei para o meu atual namorado, ele me abraçou, beijou minha testa e disse “eu nunca vou deixar esse tipo de coisa acontecer contigo de novo, mor. Eu vou te proteger.” Isso me conforta agora, além do fato de eu entender (só agora) que a CULPA NÃO FOI MINHA!”