passou semanas me seguindo, falando baixarias – 620

620 – Bem, meu caso pode não ter tanta gravidade como outros, mas é uma coisa que me incomodou muito. [ É grave sim!] Hoje tenho 19 anos, mas aos 15 eu cursava o terceiro ano do ensino médio. Estudei o ensino médio todo no meu bairro (fica na Serra-ES), estudava de manhã. Como é relativamente perto e eu ando muito rápido, ia a pé (como sempre fui), até começar a perceber um senhor de aproximadamente 50 anos que estava todos os dias de manhã na avenida que eu passava. Como aqui tem um espaço pra caminhadas, não esquentei a cabeça, afinal muitos senhores e senhoras caminhavam pela manhã. Mas esse senhor começou a ficar parado na avenida, e só caminhava depois que eu passava. Todos os dias, por umas duas semanas. Passada a terceira semana, ele continuava andando atrás de mim quase até a escola, e começou a assobiar, fazer “psiu”, mas claro que ignorei. Passada a quarta semana, ele começou a me chamar, mas eu sempre andando rápido, passava direto. Não contente com ser ignorado, depois de um mês ele esperava na mesma avenida e quando eu passava, me seguia falando baixarias. Todos os dias durante uma semana, coisas horrorosas. E puts, eu tinha 15 anos. Nunca desviei dele porque sempre achei que um dia iria fazer ele passar vergonha. Aí uma vez passei, no mesmo horário, e ele fez a mesma coisa. Falou coisas horrendas. A essa altura eu já queria explodir aquele homem, esperei passar por um casal de senhores e fiz um escândalo. Xinguei ele de tudo o que podia, gritei na rua que ele me seguia, dei uma de louca mesmo. Contei pro meu namorado, ele disse que era pra eu registrar um BO e que poderia ser perigoso, já que ele sabia onde eu estudava e talvez até aonde eu morava. Fiquei com medo de me acharem paranoica como as pessoas da rua acharam, e não fui à delegacia. Hoje eu moro no mesmo lugar, passo na mesma avenida, e ainda morro de medo de encontrar ele. Ou dele me encontrar. Me arrependi de não seguir a orientação do meu namorado. Mas pelo menos ele não esperava que eu reagisse. Ele achou que poderia levar adiante, eu acho.”
AMGS, CÊS SÃO MULHERES? NÃO? ENTÃO CALADOS. “O assédio que sofremos é enorme, é só por os pés na rua e sim, você vai escutar grosserias (mas é só um elogio, sua histérica!!11) de homens, eles se acham no direito de nos avaliar como se fossemos meros pedaços de carne que não são dignos de respeito algum. Independente da roupa, você pode estar usando uma saia curta ou uma burca, o assédio acontece de qualquer jeito.” […] “Olha só, uma ótima postagem que ajuda a diminuir (um pouco) o medo que passamos, o Everson teve empatia (empatia, essa palavra linda) para com as mulheres, perguntou as suas amigas se isso ajudava e sim, ajuda (e como!). Custa alguma coisa fazer isso? Não. Mas o que inevitavelmente aconteceu? Homens imediatamente se ofenderam com a postagem, bem no tom de ‘’MAS E EU? E MEUS SENTIMENTOS?’’. Vieram até com o dito argumento que eles também tem medo, que se alguém está caminhando atrás deles a noite, também sentem de assalto e etc. MAS GENTE? Cês tão comparando medo de assalto com medo de estupro? Gente, a primeira coisa que me vem a mente quando um cara está andando atrás de mim é o medo do estupro, eu rezo (aliás, isso foi dito por outras garotas no post do Everson também) para ser é assaltada!

http://umaingratacomopatriarcado.wordpress.com/2013/05/27/amgs-ces-sao-mulheres-nao-entao-calados/