perdi a conta dos “fiu fiu”, “ooooi” maliciosos, e buzinadas – 1256

1256 – Hoje eu decidi colocar para fora uma parte das ocasiões que passei sendo assediada, cantada ou simplesmente ouvindo aquele “fiu fiu” escroto. Eu realmente sou indignada de como tem homens que não se tocam, que não respeitam uma mulher, independente do local, de quem esteja com ele ou de quem a mulher esteja acompanhada. Eu tenho 17 anos e realmente já perdi a conta dos “fiu fiu”, dos “ooooi” maliciosos e das buzinas de carro ou moto, que muitas vezes me fazem pensar que vou ser atropelada! Qual a necessidade de buzinar para alguém que você não conhece e não está em risco de atropelamento?

Por conta das férias eu estou extremamente caseira, saindo apenas para comprar algo raramente ou para a igreja com frequência. Essa semana fui ao Centro da cidade em que moro comprar calçados com minha mãe, e após as compras fomos lanchar em uma panificadora de qualidade próxima de onde estávamos. Na entrada sempre tem um homem entregando e recebendo um cartão em que são anotados os pedidos, e como de costume na hora de ir embora fomos entregar a ele. O idiota, ao me ver, falou todo sorridente se referindo às nossas sacolas “esse presente é pra mim? obrigado”. Eu apenas o ignorei como costumo fazer, mesmo na vontade de sempre xingar o cara de todo nome, menos de gente. Ao ler os casos mencionados aqui eu tenho cada vez mais a certeza que uma mulher não está protegida nem se andar com o pai ou conjugue!

Esticando um pouco esse depoimento, outro dia, à noite (20 h), eu estava indo à igreja super atrasada para uma reunião, e ao passar na lateral da panificadora que tem ao lado da minha casa, um daqueles homens bem visivelmente nojentos e asquerosos quis fazer uma “brincadeirinha” comigo e parou na minha frente, como se quisesse impedir minha passagem. Ao perceber que eu recuei, ele passou por mim e foi até a moto dele, rindo à toa. Mas que babaca! Eu fiquei louca de raiva e imaginando o que mais ele seria capaz de fazer. Porém ainda sou muito medrosa para dizer poucas e boas para esses tipinhos.

E para não encompridar, finalizo com os “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite” cheios de malícia, que se eu responder é porque estou dando abertura e se não responder é porque sou mal educada ou metida; os puxões de cabelo, cintura, seguradas de braço/mão e tentativas de beijo forçado em festas e shows; os olhares de “estou te comendo na minha mente” que me dão vontade de vomitar e os “eita, morena” e “linda” que não são elogio nem no inferno vindo de um estranho que só quer fazer o mal. É revoltante.

Em breve começam as minhas aulas na universidade, e eu já vou preparar o meu alfinete e sermões para aqueles esfregões no ônibus. Eu não sou obrigada a sentir o corpo/órgão sexual de um estranho roçando na minha bunda propositadamente ou não. Desculpe se o relato ficou comprido, mas eu realmente preciso colocar isso para fora. Eu dou graças a Deus de nunca terem ultrapassado limites comigo, mas ainda assim temo por mim e por todas as mulheres que já passaram por aperreios ou não. Na minha opinião, o cara que chama uma estranha de “gostosa”, assobia, buzina ou faz qualquer comentário maldoso, tem a capacidade de estuprar uma mulher, sendo estranha ou não, e nenhuma mulher merece ser estuprada!