quando eu neguei me chamou de demônio – 922

922 –  Tenho 30 anos e, mesmo eu sendo tipo plus size, escuto às vezes cantadinhas idiotas na rua e sempre respondo, menos quando estou com mamãe por perto pois ela tem medo.

Desde criança ouvia graças sobre meu peso, depois consegui emagrecer, então entrei na faculdade de Letras.

Lá eu me adaptei, mas um colega sem noção sempre fazia brincadeiras idiotas com todo mundo, e tinha umas pessoas que odiavam, entre essas pessoas eu. O cara ficava falando essas cantadinhas idiotas para mim, eu me irritava, mas o pessoal dizia que era apenas brincadeira e que eu devia relaxar. Um dia eu estava sozinha em uma sala de aula terminando um trabalho de Literatura Portuguesa quando ele chegou e ele veio com aquelas gracinhas de sempre. Tentou me agarrar e quando eu neguei me chamou de demônio;  fiquei sem ação e depois contei isso para meus colegas. Eles não acreditaram. Até que um dia resolvi levar um estilete para a faculdade, ele veio mais uma vez me assediando, o ódio brotou dentro de mim com tal força que parti para cima dele (ele era o triplo de mim e olha que sou gordinha). Queria cortar o pescoço dele, mas ele colocou a mão na frente e eu acertei a mão dele, ele tem a marca até hoje. Depois daquele dia nunca mais mexeu comigo,a faculdade abafou o caso, teve gente que me pegou para Joana Darc e só faltou me colocar na fogueira dizendo que eu não devia ter reagido e que ele só queria brincar; outros me apoiaram e até o segurança da faculdade disse que eu fiz um favor para ele. Mas como eu sou de origem nordestina fui chamada de “Paraíba muié macho”, cangaceira e pirata, e homem nenhum se aproximava de mim. Eu achava que só magra passava por isso.