“Quando ficar velha e feia vai sentir falta!” – 1568

1568 – Oi, conheci essa página hoje e resolvi contar uma das muitas cantadas na rua que já ouvi. Essa aconteceu em setembro e eu postei esse mesmo texto no meu feed:

“Estava eu andando pela rua, hoje, voltando do curso, quando ouço um “psiu” do outro lado da calçada. Olhei. Era perto de onde eu moro, achei que pudesse ser alguém conhecido. Continuei olhando, tentando ver se realmente conhecia aquele cara.
Quando, da boca dele, ouço um:
– (som de puxando o ar entre os dentes) Que gostosa! Uma delícia!
Minha reação foi virar a cara e continuar andando. Ele continuou andando do outro lado da rua na mesma direção e falando mais besteiras. Não resisti, levantei a minha mão e dei o dedo pra ele (parece tão infantil falar “dei o dedo”, enfim…). Foi então que o velhote, metido a garotão, de óculos escuros, mudou de tom:
– Sua puta! Vaca! Vagabunda! (em alto e bom som na rua)
Continuei andando, como se não fosse comigo.
– Só pode ser sapatona!
Eu ri, tive que rir.
– É, só pode ser sapatona! Se não fosse, ia gostar!
Continuei a andar, mais rápido, queria fugir daquele imbecil. Ele já tinha parado, mas continuava gritando.
– Quando ficar velha e feia vai sentir falta!
Já tinha grudado em dois garotos que andavam na minha frente e vim andando e olhando pra trás.
É um desrespeito atrás do outro. Eu sou invadida com palavras que me ferem e, se retruco, sou xingada. Morri de medo daquele escroto vir atrás de mim, dele tentar fazer alguma coisa. E, pior, isso aconteceu 11h da manhã, numa rua com movimentação. Se ele tem a escrotidão de fazer isso nessas circunstâncias, imagina em uma rua isolada e escura?!”