Quando voltei a mim só consegui chorar – 825

825 – “Tenho 19 anos e moro em Teófilo Otoni- MG.
Tudo indicava que hoje seria um dia normal, como qualquer outro (mas me enganei). No caminho para o meu trabalho (poucos metros antes dele) um homem de estatura mediana, cabelos castanhos claros, vestido com uma calça jeans e uma camisa laranja que aparentava ser maior do que ele se esfregou em mim passando a mão em grande parte do meu corpo. Sussurrou no meu ouvido “gostosa”, e logo saiu andando rápido como se nada tivesse acontecido.
Fiquei atônita! Não consegui fazer nada, xingar, correr, bater… Nada!
Quando voltei a mim só consegui chorar, me senti impotente, humilhada, suja, eu sairia do meu próprio corpo se fosse possível.
Eu sei que existem homens bons no mundo (tenho vários desses na minha vida), mas o que passou por mim hoje não foi um homem, foi um monstro, pior do que aqueles que se escondem de baixo de nossas camas e no escuro e que nos assustam quando somos crianças.
Imaginei, será que esse homem não tem mãe, esposa ou filhas? Ele não pensa que alguém pode humilhar da mesma forma que ele fez uma mulher importante da vida dele? Imagino que não ou então ele não se importa com isso, pode achar até normal assediar mulheres na rua, quem sabe já até não fez isso outras vezes.
Sei que o meu desabafo não vai mudar o que ele fez muito menos o que eu estou sentindo agora. Mas imagino que alguém (em qualquer lugar) possa estar lendo a minha história e que ela sirva pra mudar alguma coisa (qualquer coisa que seja).”