“Que merda você fez no cabelo? Tá querendo virar homem?” – 1003

1003 – Isso não foi cantada, mas foi uma atitude machista que me deixou muito chateada e que agora preciso desabafar. Saber que ainda existe machista me decepciona muito, e me decepciona mais ainda quando um machista faz parte da minha minha família. O meu pai. Ele estava doente e teve que ir ao o hospital se operar e de lá foi para a casa do meu tio e passou 2 meses lá. Uma semana antes dele voltar pra casa, eu cortei meu cabelo curtinho, bem curto mesmo. Eu não tinha dito que tinha cortado o cabelo nem nada, esperei que ele visse quando chegasse e já esperava uma crítica. A primeira coisa que ele disse quando me viu foi: “Que merda você fez no cabelo? Que desgraça foi essa, filha? Tá querendo virar homem?” quando ele disse que meu cabelo tava uma merda, nem me importei, não ligo pra opinião dos outros. Mas meu sangue subiu quando ele perguntou se eu queria virar homem. Ele pensa que eu sou uma marionete que faz o que ele quer, quando ele quer e do jeito que ele quer. Ele tenta tirar minha liberdade, minha independência. Ele me controla. Ele é ameaçador. Ele quer que eu siga esse padrão ridículo imposto pela sociedade: mulher tem que ter cabelo grande, usar vestidinho e sapatilha. Eu sou totalmente o contrário disso, uso cabelo curto, calça, tênis e tenho várias camisetas masculinas, mas isso não me faz lésbica. Isso não me faz ser homem. Minha orientação sexual permanece a mesma, independente da roupa que eu use. Desde sempre percebi que ele era machista, misógino, sexista e homofóbico. Ele tem um comportamento muito rude, muito agressivo. Eu só queria viver do jeito que me agrada, livre, sem ser julgada, apontada, ridicularizada e sem ser marionete de ninguém.