“que roupa você tá? Também, sai de legging por ai…” – 1894

1894 – Sempre que eu conto isso para as pessoas, elas dão risada, e acham engraçado, infelizmente.
Eu estava indo trabalhar, era nova, por volta de 17 anos. Estava fazendo a integração do metrô Paraíso, em São Paulo. Estava descendo as escadas fixas, correndo, atrasada, quando sinto uma mão apertar a minha bunda com muita força e vontade. Saí correndo subindo as escadas atrás desse idiota, mas não consegui nem avistá-lo quando terminei de subir as escadas. Falei com os seguranças do metrô e eles não fizeram nada além de olhar para os lados, e eu naquela hora sem saber o que falar, tremendo e assustada, sem reação. Liguei para o meu namorado e ele me perguntou “que roupa você tá? Também, sai de legging por ai…”. Fiquei me sentindo suja e culpada, mas só hoje consigo ver que a culpa não é minha, e sim desse doente que me violou. Sempre tive a bunda “grande” (maior que o normal, mas até ai todos tem uma não é?) e sempre fui motivo de piada por isso, várias vezes não fui levada a sério por isso também. É super difícil para mim sair na rua, COM QUALQUER ROUPA, e não ficar enojada com uma cantada, uma buzinada ou só um “nosssssa”, com todos os “s” possíveis. Queria que as pessoas entendessem que, apesar de eu ser mulher (falando ironicamente, claro), eu mereço respeito sim!