quem assedia mulheres na rua não está interessado em interação -1022

1022 – Sempre acompanho os relatos da página, contribuo com alguns (infelizmente, gostaria de não ter nenhum caso pra contar…) e hoje vim relatar algumas situações que vivi.

Recentemente comprei uma bicicleta usada de um amigo. No dia em que ele veio trazê-la em minha casa saímos para dar uma volta em um parque bem próximo à minha casa. Nesse dia ninguém mexeu comigo. Ontem e hoje resolvi pedalar sozinha. Buzinadas, gritos, assovios… Ignorei enquanto a bateria do mp3 deixou, e voltei pra casa achando uma péssima ideia ter comprado a bike… Isso me lembrou quando morei em Campinas, durante a pós graduação: morava entre a puc e a unicamp e sempre ia a pé para esta devido à proximidade com a kit em que morava. Sempre sofria assédios os mais absurdos. Um dia estava com duas amigas e passou um carro cheio de jovens com um adesivo da puc no fundo (enfatizo o fato de serem da puccamp pq tem gente que insiste em dizer que isso é “coisa de pedreiro” e gente sem instrução). Eu estava do lado da via; ao passarem, reduziram a velocidade e um deles colocou metade do corpo pra fora e gritou “SUA LINDA”. Não sei se por me sentir segura, se pra fazer graça pras minhas amigas, não sei se porque estava perto à portaria da Unicamp e tinha o pessoal da segurança, não sei o que me deu: minha reação foi sair correndo atrás do carro gritando “EI!!!ESPERA, VOLTA AQUI!!!” (só de zuera, não tinha nem nunca terei interesse nenhum em alguém que assedie pessoas assim na rua). A cara de susto deles foi impagável! Eles saíram cantando pneu, não esperavam uma reação, e eu e minhas amigas fomos pra aula morrendo de rir da cata deles. Pra mim isso é mais que prova de que quem assedia mulheres na rua não está interessado em interação, mas sim em exercer seu poder e domínio. Obrigada pelo espaço e por esse trabalho maravilhoso de empoderamento das mulheres!