“Queria que meu pa* fosse esse canudo” – 2012

2012 – Já passei por inúmeras situações de cantadas na rua, olhares maliciosos, expressões pervertidas.. Mas faz alguns dias que recebi talvez a mais “pesada” de todas. Estava passando na rua, nada de roupas provocativas, nada que “justificasse” o injustificável. Estava bebendo uma lata de refrigerante quando vi dois sujeitos na calçada, logo notei os olhares deles sobre mim, mas infelizmente não havia como desviar. Fui obrigada a passar no meio dos dois, pois o fluxo na rua estava muito alto, e não pude atravessar. “Queria que meu pa* fosse esse canudo”, “oloco, eu tacaria essa lata na cabeça dele”. Eu tive nojo, nojo da situação, nojo do que foi falado por um, nojo do outro que completou como se aquilo fosse absolutamente normal. Não é normal. Não é correto. Causa nojo, medo, pânico.. Me faz temer andar pelas ruas, me faz temer existir. Não sei a que tipo de pessoas estou exposta, e infelizmente, sei que isso não é nada comparado ao que milhares de mulheres sofrem todos os dias..