“Queria ser sua calcinha” -“O que é que você disse???!!!!” – 980

980 – 7h da manhã. Eu, de saia justa até o joelho e saltinho, me dirijo ao banco para sacar dinheiro. A alguns metros do banco, passo na frente de uma empresa de motoboys. Na calçada em frente à empresa, uns 10 motoboys esperavam para começar as corridas. Embora extremamente intimidada por ter de passar por tamanho grupo de homens, pensei: “Siga em frente. Você tem direito de caminhar pela rua!” Quando passo por eles, ouço um deles dizer algo como “Queria ser sua calcinha”. Sigo adiante, HUMILHADA.

Saco dinheiro. Tenho que retornar e, pelo caminho natural, passar novamente pelo grupo. Penso em atravessar para o outro lado da rua, mas, então, me convenço de que eu não deixarei o agressor vencer, me humilhando e saindo impune. Eu tenho o direito de passar por aquela calçada e ser respeitada.

Volto pelo mesmo caminho. Passo novamente diante do grupo, com a cabeça erguida. Ouço novamente O MESMO COMENTÁRIO. O sangue ferveu!

Viro com tudo, perguntando: “O que é que você disse???!!!!” Ao me virar, dou de cara com uns NOVE homens me encarando com os olhos arregalados e APENAS UM COVARDE sem coragem de me olhar, denunciando a autoria da grosseria. Fixei no covarde e… disparei a falar, em voz alta, exaltada: “Fala agora na minha cara, seu #$%$%&&!!!! Olha só como é covarde!!! Nas minhas costas, falou o que queria. Agora que estou olhando pra sua cara, não tem coragem de repetir, nem mesmo coragem de olhar na minha cara, $%ˆ$%&?!!! Seu #@#$%#ˆ$&!!! Fica falando besteira pra se mostrar para os amiguinhos, mas na cara da mulher não tem coragem.” (Transcrevi uma versão absolutamente mais leve do que o que eu falei. Estava exaltada, com raiva, por isso não medi palavrões. Além disso, achei que aquele sujeito só se sentiria agredido se eu o atacasse na sua “honra de homem”. Eu queria humilhá-lo, como ele fez comigo, e tenho certeza que consegui.)

Os outros homens, surpresos, não falaram NADA, ficaram me assistindo surrar o cara com minhas palavras.

Em nenhum momento o covarde conseguiu olhar pra mim. Nunca tinha dito tantos palavrões e ofensas em toda a minha vida. Estava descontrolada, com muita raiva.

Logo chegou um homem, que se identificou como dono da empresa de motoboy e pediu desculpas, dizendo que eu estava com toda a razão, etc., etc.

Fui embora com a alma lavada! Ao chegar em casa e contar para meu namorado o que tinha acontecido, ele me repreendeu, dizendo que o cara covarde poderia vir atrás de mim e fazer alguma maldade, com o que concordei, pois era realmente um risco.

Comentei com a minha terapeuta que, se todas as mulheres agredidas verbalmente na rua fizessem o mesmo, ou seja, um tremendo de um escândalo, expondo o agressor, os homens iam pensar duas vezes antes de continuar com essa conduta nojenta. A terapeuta disse: “mas talvez muito mais mulheres morressem agredidas por vingança”.

Apesar dessas opiniões, nunca deixei de acreditar que fiz o certo. Não podemos nos calar diante de uma agressão, seja ela física ou verbal!!!