Reagi e xinguei; hoje é ele que foge de mim – 1129

1129 – Há algumas semanas intensifiquei minha rotina de malhação, e mesmo decidindo não usar shorts ou qualquer tipo de roupa mais ” chamativa” para ir malhar, meu problema continua (nada disso justifica o assédio, eu sei)

O caminho que faço até academia é algo que dura em média uns 7 minutos… uma rua residencial, com porteiros nos prédios, loja de construção, prédios sendo construídos, entre outros. Não sou poupada de nenhum olhar… se não é do porteiro, é o pedreiro da obra, se não é o pedreiro, é o cara da loja de construção, se não é nenhum desses, a rua se encarregada de trazer alguém sem noção pra falar alguma besteira ou me devorar com os olhos.

Pois bem, há algum tempo decidi revidar esses assédios. Se me olham, eu olho de volta, eu assedio de volta. Se fala alguma coisa, eu respondo, eu xingo, eu faço de tudo pra compensar o desconforto que ele tá me fazendo passar.
Um desses caras está sempre na minha rua descarregando coisas de um caminhão para uma loja. Desde a primeira vez que me viu não me deixava em paz. Eu passava e ele me devorava, falava coisas baixinhas que eu não queria ouvir porque aumentava o volume do fone de ouvido, fazia qualquer coisa pra não ter que encarar ele, que mexia comigo até mesmo quando estava com roupas normais, indo trabalhar.

Porém eu decidi que não ia mais passar por isso. Cansada, um dia fiquei muito nervosa, tirei o fone, dei o dedo do meio e mandei ele ir para aquele lugar. Ele ficou sem reação, desconfortável, sem entender o que estava acontecendo. Falei várias outras coisas bem desconfortáveis, e enquanto ele mantinha o silêncio e a cara de espanto, fui embora. No dia seguinte, passei de novo por ele, e o assediei. Fiquei olhando fixamente enquanto passava por ele, que fugia de qualquer contato visual. Em outro dia passei novamente, e dessa vez ele foi pra dentro do caminhão, fugiu de mim. Não mexe mais comigo, sequer me olha, e agora dá um jeito de se esconder quando eu passo na rua. Agora eu faço questão de passar bem perto dele, e perseguir ele com meus olhos o máximo que posso.

E faço isso com todos os que mexem comigo, e vou continuar fazendo. Me olham sem entender, como se eu fosse uma louca, como se fosse um absurdo eu interromper o assédio deles, como se eu devesse estar lisonjeada por um babaca como ele me notar na rua.

Mas eu não aceito mais, não aceito mais se assediada por ser mulher.