Reclamei do assédio à gerente – 1049

1049 – “Nojo” é pouco para definir o que sinto por esses projetos de homem que se acham no direito de invadir o espaço pessoal de uma mulher, gritando ofensas ou supostos “elogios” na rua. Acredito que todas têm o direito de sair sozinhas na rua, vestindo a roupa que quiserem, e serem respeitadas, isto é, não serem obrigadas a conviver com cantadas e olhares asquerosos. Por isso, de uns tempos para cá, sempre que consigo fazer algo a respeito, seja xingar o idiota ou algo mais eficiente, eu faço.

Há uns meses desci minha rua sozinha, por volta das 18 ou 19h de um sábado, para comprar uma pizza. Ao passar pelo aglomerado de entregadores da pizzaria, que esperavam ser solicitados encostados em suas motos na porta da mesma, ouvi um “Tá de parabéns, hein”. Na primeira vez, ignorei. O porco nojento que tinha falado a gracinha, provocando olhares de todos os outros, não satisfeito com a minha indiferença à existência porca dele, repetiu o “gracejo”. Fiquei com muita raiva, dei meia volta e andei na direção dele. Perguntei, de forma educada: “Boa noite, qual o seu nome por favor?”. Como nenhum deles esperava essa reação (ou qualquer reação, na verdade), vi olhares desconcertados e o idiota disse o próprio nome (correto!). Com um “Muito obrigada”, virei as costas e entrei na pizzaria. Fiz meu pedido e chamei pelo gerente. Por sorte, a dona da pizzaria se encontrava presente e era uma mulher. Reclamei do assédio sofrido pelo funcionário dela, e esclareci que gosto muito da pizza do estabelecimento dela e gostaria de continuar comprando, se eu tivesse liberdade para ir até lá sempre que quisesse, sem ser obrigada a passar por esse tipo de situação. Ela me pediu mil desculpas, disse que ela mesma ia falar com ele e que ia repassar a reclamação ao supervisor dele, pois a empresa de motoboys que faz as entregas é terceirizada. Ainda me disse com ar de indignação “Você está coberta de razão, ele tem que respeitar os clientes que indiretamente pagam o salário dele e também a mulher e o filho que ele deixa em casa!”. Não respondi, mas penso que ele tem obrigação de respeitar não somente os clientes e a família, mas qualquer pessoa, qualquer mulher que passe na frente dele, em horário de trabalho ou não.

Esse, pelo menos durante trabalho, não canta mais ninguém. Fiz minha parte e me senti melhor por isso.