se sentiu no direito de ficar passando a genitália dele na minha bunda – 745

745 – “Eu queria compartilhar a minha experiência absurda de hoje. Eu fui assediada sexualmente num ônibus, daqueles que eu pego todos os dias. O cara teve uma ereção e se sentiu no direito de ficar passando/cutucando a genitália dele na minha bunda. Quando eu me incomodei demais que alguém estivesse encostando tanto, eu me virei, esperando que fosse meramente uma bolsa como teoricamente acontece todo dia, mas não, o que eu me deparei foi com o moço arrumando o penis dele pra me cutucar de novo. Primeiro eu não tive reação, porque entre tantas vezes em que pessoas encostaram em lugares desconfortáveis pra se tocar, aquela eu tive certeza que foi de propósito e não era meramente porque o ônibus tava lotado e ele não tinha como não encostar em mim. E quando meu cérebro efetivamente entendeu o que aconteceu eu falei “É sério isso, moço? Isso é absurdo, pelo amor..” e o homem virou pra janela e fingiu que não era com ele. Eu fiquei quieta mais um pouco e depois eu ainda falei mais um “Você sabe o quanto isso é absurdo? O que é isso?” E ele falou “não fui eu não, moça” e ai eu gritei pela primeira vez “como não?! Eu acabei de ver mexendo aí!” e apontei pra calça de moletom. E as pessoas me olharam como se eu fosse uma maluca. Eu ainda fiquei mais uns cinco minutos em silêncio, ali do lado daquele projeto de pessoa, enquanto as pessoas me encaravam. Depois eu desci e não conseguia parar de tremer e chorar, porque eu nunca tinha passado por uma situação tão degradante e humilhante na minha vida.  Minha reação foi errada. Eu devia ter dito em voz alta “ESTOU SENDO ASSEDIADA”. Mas eu não tive coragem, como a maioria das pessoas. Eu to compartilhando isso, não só pra falar aquilo que eu queria ter dito na hora que eu estava chorando, mas pras pessoas lembrarem que isso acontece, e que isso é recorrente. Foi a primeira vez que acontece comigo, mas quando fui contar na faculdade, eu percebi que não só eu não era a única, mas como não era a minha, a pior história. E isso é “normal”. É normal a ponto de já ter ouvido piadas com assédio, de você falar e as pessoas não se chocarem. É normal, ao ponto das pessoas não falarem quando acontece. Isso porque “ah, acontece, e você não tem o que fazer”. Mas você tem. Você reage. Se você vê alguém fazendo, se alguém faz em você, e você tá num lugar público como eu, você fala,em voz alta e fala que é um ASSÉDIO, e isso é CRIME. Não era eu não tinha que ter vergonha dessa história, era o “homem” que fez isso que devia ter.  Ah, e antes que alguém faça a “pertinente” pergunta: eu estava com um moletom masculino, uma calça folgada, cabelo preso e sem maquiagem.”