Seis mulheres diferentes, seis locais diferentes – 1076

1076 – Oi.

Estou enviando seis relatos de situações que presenciei (1,2,4 e 6) ou que amigas me relataram (3 e 5). Algumas aconteceram há anos, outras são recentes. Durante as que presenciei, não reagi (algumas por não ter consciência, na época, de que aquilo eram abusos e outras pelo medo e constrangimento que ainda não me julgava capaz de enfrentar para reagir).

Relato isso como uma forma de alertar que qualquer mulher, se parar para pensar, consegue fazer uma lista dessa em poucos minutos – e isto é um sinal de que esses casos são mais frequentes do que se pode imaginar.

#1 Av.Presidente Vargas,Rio de Janeiro. Uma moça parada no ponto do ônibus. Um homem, aparentando uns 50 anos, parado ao lado dela, falava alguma coisa. Eu não ouvia, mas a expressão no rosto dele – aquela cara nojenta e maníaca que tão bem conhecemos – e a postura dela, ignorando o que quer que estivesse ouvindo, rígida, olhos fixos em direção aos ônibus, deixava claro que ela estava sendo assediada e que aquilo a incomodava.

#2 Rua Adolfo Bergamini,Rio de Janeiro. Uma jovem atravessa a rua, saindo ou indo para a academia. Um carro sai de um posto de gasolina e passa por ela. De longe, ouço a voz vinda do carro: “Gostosa. Delícia”.

#3 Adolescente pega um ônibus ao sair do Norteshopping. Dentro dele, percebe um homem querendo se aproximar de seu corpo. Disfarçadamente, com aquele medo que a gente sente como se fosse vergonhoso tentarmos nos defender, ela vai se esquivando. Desce do ônibus, segue em direção ao seu local de trabalho (Uma filial do Mc Donalds no bairro do Méier) e vê o homem do ônibus na fila pra comprar sorvete. Ela segue para outro ponto do ônibus. É seguida pelo homem, que a aborda dizendo: “sabia que você é uma morena muito bonita?”
O homem só desiste de assediá-la porque ela aponta para seu local de trabalho, mostrando o gerente que está na porta, e diz que aquele é seu namorado. Ele pede desculpas. Não pelo assédio, mas porque não sabia que ela tinha namorado.

#4 Cascadura,Rio de Janeiro.
Na fila para usar um telefone público, percebo o constrangimento de uma moça, perante os olhares de outras pessoas. Um carro parado um pouco mais distante exibia um braço estendido para o alto, com a mão fazendo o movimento de chamar uma pessoa, no caso a moça. O motivo? Só porque ela usava um vestido curto e justo, o homem à distância a abordava achando que ela era uma prostituta (apesar de estar em plena luz do dia, do local não ser um ponto de prostituição e de a moça estar claramente na fila do orelhão, e não oferecendo serviços sexuais).

#5 Jovem sentada no ônibus, de shorts, percebe um idoso abrindo demais as pernas, querendo encostar-se nela. Ela diz, secamente: “Dá para se fechar?” Ele, num primeiro momento, para. Depois, dá um tapa na coxa da moça. Ela reage, atingindo-o com socos e tapas, mas uma senhora no ônibus diz: “Mas também,minha filha, olha só a sua roupa?”

#6 Estrada dos Bandeirantes, Rio de Janeiro. Um grupo de pessoas caminha à margem da estrada, vindo de uma visita a um hospital. Uma das pessoas, uma jovem, está usando um shorts. Um carro para ao seu lado e o carona estica o braço, tentando passar a mão na bunda da moça.
Por sorte,não conseguiu.

Seis mulheres diferentes,seis locais diferentes,mas uma coisa em comum: o maldito machismo.