sempre comento com meu namorado tudo o que passo – 1126

1126 – Moro no Rio de Janeiro há um ano e meio. Vim do interior e os assédios na capital são frequentes, o que aumenta a vontade e também o medo de reagir. Passei a olhar tudo com diferentes olhos. Aumenta a raiva, a sensação de impotência e também a sede por mudanças. Já tive que ouvir “está perdida, princesa?!” de um grupo de homens quando estava ao lado de casa. Já me assustei quando andava pela rua e do nada veio no sentido contrário passando muito perto de mim uma bicicleta com um homem com idade para ser meu pai me jogando beijos e falando asneiras. Ainda não consegui reagir mas sempre comento com meu namorado tudo o que passo. Tudo o que todas nós passamos. Quando estamos acompanhadas de um homem o cenário muda. Uma vez estávamos juntos no mercado, me separei dele por uns minutos e acabei ouvindo gracinhas de funcionários do estabelecimento em um corredor qualquer. É muito frustrante e eu nunca escondo isso dele. Algumas vezes eu conto chorando, outras conto com muita raiva e ele tem ficado impressionado em ouvir os meus relatos e os relatos que leio aqui na página. Ele sempre me diz impressionado que não sabia que os assédios eram tão frequentes e que sofríamos tanto com isso. Já o vi repreendendo junto comigo um homem que olhou para outra mulher na rua. Por isso gostaria de dizer que é muito válido contarmos e reclamarmos com os homens: sejam eles nossos namorados, maridos, filhos, pais ou amigos. Digam o que vocês passam. Porque há homens que nos assediam nas ruas e há homens que não fazem isso mas também não sabem o que acontece. E eu acredito que assim é uma forma de buscarmos mudanças, principalmente porque esses homens que nos ouvirem, além de conversarem com outros homens, já são ou serão pais um dia. Gosto de poder acreditar que minha filha não sofrerá tanto com isso. E acredito que vocês também. Conversem com os homens com quem vocês se relacionam e não escondam o sofrimento que passamos.

Gostaria de dizer que adoro a página, me sinto inspirada pela iniciativa e pelos relatos que leio aqui. A luta é grande e não pode parar. Obrigada!