“sobe na moto, vagabunda, sobe, quero fazer umas coisas com você.” -940

940 – A parada de ônibus fica a 3 quadras da minha casa. Todo dia preciso fazer esse caminho, e todo dia escuto as piores coisas a meu respeito por homens que passam de bicicleta, carro, moto.

Indo para minha faculdade, às 1 da tarde, para um carro preto do outro lado da rua, olha para mim faz sinal de joia para mim, cara de tesão e faz aquele sinal sinal de “estou de olho em você” (apontando com dois dedos para o olho dele e depois com um para mim). Todos os dias passo por isso, mas nesse dia aconteceu algo pior. Quando estava voltando para casa, às 22:30, desci do ônibus e fui caminhar. Como não sou besta, ando com faca e estilete na mochila e quando preciso andar na rua, coloco ele no bolso ou entre a calça. Vi um homem vindo de moto e ele começou a desacelerar e falar alguma coisa que não entendi, pois ele estava usando capacete. Ele começou então a me acompanhar, a andar do meu lado e depois a me cercar com a moto. Foi então que eu escutei “sobe na moto, vagabunda, sobe, quero fazer umas coisas com você.”. Ele continuou a fazer isso durante todo o caminho, até minha a porta da minha casa. Eu mandei ele se lascar e não demonstrei medo. Ergui a cabeça e continuei reto, andando, calma e falando “vá procurar o que fazer”, com o estilete na mão e aberto, ameaçando de volta “vem aqui pra tu ver o que tu não leva”. Quando eu cheguei na minha rua, que tem vigia, comecei a pedir ajuda, que o cara queria que eu subisse na moto dele, e o infeliz continuou pedindo, mesmo com a presença do vigia. O vigia chamou o vizinho que era do exército, só isso fez o cara ir embora. Meteu o pé na moto gritando para mim “ainda essa semana eu te mato”, e eu revidando “vamos ver quem morre primeiro?”. Durante a abordagem ele me ameaçava, dizia que ia atirar em mim. Mas eu segui em frente. Eu tinha duas opções: ou subia na moto, seria estuprada e morta, ou ele me dava um tiro por não subir. No final ele não tinha arma mesmo e por enquanto ainda estou viva. Mas e se eu fosse um medrosa? Ou uma criança que não sabe se defender?