“sua gostosa, o que tem por baixo dessa saia?” – 1163

1163 – Oi, gostaria de deixar registrado mais que um relato e sim um desabafo do machismo e da falta de respeito que estamos vivenciando. Hoje, como muitos outros dias aqui em SP está muito quente, e por isso, como muitas outras mulheres usei uma saia e uma blusa para ir trabalhar, apenas com o simples objetivo de não derreter dentro de uma calça jeans e uma camisa social. Mas para os machistas, de plantão minha saia é um convite, quando ando na rua estou querendo falar: “hey, seu nojento, faça-me um favor, use palavras de baixo calão comigo, afinal eu mereço e gosto de ouvir isso…” e foi bem isso que aconteceu mesmo. Estou andando na rua, quando um verme grita terríveis palavras que ele considera como elogio, “sua gostosa, o que tem por baixo dessa saia?” e eu no mais puro ato de desespero saí correndo, chorando, desesperada, com medo, sentindo nojo do meu corpo, me culpando pela roupa que estou vestindo, rezando para todos os santos para que ninguém me falasse mais nada, para que eu me tornasse invisível…..

E por um momento, pensei, vou ligar para o meu namorado, preciso conversar, desabafar, me sentir segura e ele simplesmente me fala: “nem vou te falar nada, não mandei você sair com essa roupa”.

Como assim???? Minha roupa não determina a forma que as pessoas devem falar comigo, minha roupa não precisa ser julgada, eu não preciso passar calor para ser respeitada, eu preciso viver em um país, eu uma cidade, onde as pessoas me respeitem independente de qualquer artificio. O pior não foi o homem ter me falado aquilo na rua, o pior foi ouvir de uma pessoa que eu gosto, um julgamento tão banal de quem eu sou, eu tenho meus direitos e eles precisam e devem ser respeitados.

Eu não quero muitas coisas, quero apenas poder andar na rua e saber que está tudo bem, que terei paz no trajeto até o meu trabalho, que quando eu sair à noite para chegar em casa não serei estuprada, violentada, humilhada…. nenhuma pessoa no mundo deveria passar por esse tipo de coisa, porque aquele imbecil me falou aquilo e foi embora, porque eu fui mais uma que ele assediou, mas em mim, ele deixou uma cicatriz, uma marca, que eu não vou esquecer e não vou apagar.

A cada dia que passa fica mais difícil ter uma vida, sinto, que estamos sobrevivendo em um mundo de “homens” sedentos.