“também, anda pelada por aí, queria o quê?” – 1072

1072 – No dia do meu aniversário de 17 anos eu sai com um grupo grande de amigos pra comemorar a data. Sempre tive muito complexo em relação ao meu corpo por ser gorda em relação às minhas amigas, isso foi sempre, a vida toda. Mas naquele dia eu estava me sentindo bem comigo. Era meu aniversário, eu tinha pessoas queridas em volta, então usei um vestido curto e me senti bem, me senti bonita. Éramos um grupo de meninos e meninas e na volta pra casa os meninos desciam primeiro do ônibus, e já era tarde. Eu vinha distraída conversando com minha amiga quando um cara grande, enorme mesmo, daqueles com cara de segurança de loja 2×2, parou do meu lado, muito perto, perto demais e fez um comentário muito nojento sobre as minhas pernas.

Eu lembro que as meninas acharam engraçado. Eu lembro que na hora eu queria sumir, eu fiquei com tanto nojo, tanta vergonha, com medo. Eu lembro que eu contei pro meu namoradinho da época e a reação era óbvia: “também, anda pelada por aí, queria o quê?” A culpa era minha, né?

Hoje eu sei que não. Eu agradeço ao feminismo, sim!