Tentavam olhar por baixo do vestido – Cantada 722

722 – “O que vou contar não aconteceu comigo, mas me senti tão ofendida como se tivesse sido. Há 2 anos atrás, eu frequentava um cursinho pré-vestibular que ficava em outra cidade, assim, tinha que viajar todos os dias com um ônibus próprio pra estudantes.  Semprei sentei nos bancos da frente, já que o fundão era dominado pelos meninos que faziam a “baderna” do ônibus, falavam alto e faziam piada o tempo todo. Mas um dia tive que sentar com eles já que o ônibus estava lotado, sentei na janela, coloquei meu fones e fiquei olhando pro lado de fora e ao meu lado sentou um rapaz com quem nunca havia conversado. A menina que era coordenadora do ônibus andava pelo corredor recebendo a mensalidade dos alunos e quando ia se aproximando do fundão onde eu estava… Bem, a melhor expressão que consigo pensar pra definir o comportamento dos rapazes, sem dúvidas, é que pareciam que estavam “no cio”. Todos se inclinaram no corredor, derrubavam coisas no chão pra tentarem olhar por baixo do vestido da menina ao pegar o objeto, comentavam coisas tão obscenas que sinto até vergonha de repetir. Quando a menina finalmente chegou onde estávamos, todos ficaram quietos como se nada tivesse acontecido. Me senti profundamente ofendida, enojada, minhas mãos tremiam… Quis bater em todos eles, levantar, gritar… Mas fiquei parada, olhando boquiaberta pra toda essa situação. Acredito que a mulher tem todo o direito de usar a roupa que quiser quando quiser, mas a partir desse dia passei a sentir um certo medo de usar determinadas roupas pra ir no cursinho/faculdade, devido ao ofensivo comportamento masculino diante de um simples vestido. Hoje em dia, faço faculdade na mesma cidade do cursinho e ainda frequento um ônibus desse, mas evito usar short, saia ou vestido curto exatamente por lembrar tão bem desse episódio, o qual me deixou traumatizada.”