Tentei abrir a porta do carro, mas foi em vão, desisti de lutar e fiquei paralisada até ele terminar – 2052

[TRIGGER WARNING – relato de estupro]

Curitiba, carnaval de 2015.

Eu fui numa festa comemorar o feriado e acabei bebendo um pouco além da conta. A casa fechou, mas muitas pessoas permaneceram concentradas na frente do local. Eu queria ir embora, mas não havia táxi disponível pra região, quem mora na cidade sabe o drama que é conseguir um carro com cartão de crédito disponível de madrugada. Eis que na espera comecei a conversar com um grupo de pessoas que estavam ali ainda, dentre eles havia um cara que descobri termos um amigo em comum e que morava perto da minha casa. Muita espera e nada do táxi. O rapaz tinha espaço no carro e se propôs a dar uma carona. A central de táxi liga avisando que não há carros na região. Aceito a carona, então. Primeiro deixou todos os amigos em suas respectivas casas e eis que ficamos só nos 2 no carro. No caminho pra nosso bairro enfim, ele para o carro e me ataca. Tentei me desvencilhar e abrir a porta do carro, mas tudo em vão, ele era mais forte que eu e eu ainda estava alcoolizada demais. Eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo, desisti de lutar e fiquei paralisada até ele terminar. Quando me deixa na porta de casa, olhou nos meus olhos e disse “Não conta pra ninguém hein?”. Arrumo a meia calça rasgada, entro em casa e vou direto pro chuveiro, pensando que o pesadelo tinha enfim acabado. Não tinha. Essa não foi a primeira vez que fui estuprada, mas a mais violenta. Senti dores físicas e o psicológico talvez nunca se recupere. Demorei meses pra conseguir falar sobre isso com alguém, tentei negar pra mim mesma o que aconteceu, numa tentativa desesperada de esquecer o ocorrido. Quando tive coragem de falar, a cada frase percebia então a gravidade do fato. Desde então não consigo confiar em homens, muito menos consegui me envolver com algum e manter relações. Até pouco tempo atrás a ideia de fazer sexo me dava nojo, mas estou melhorando nisso. Tenho medo de andar na rua e encontrar com ele, já vi alguém parecido e tive um ataque de pânico. Eu só queria que nenhuma pessoa do mundo jamais passasse por isso.