tive que ouvir …. que a minha bucetinha ‘parecia ser raspadinha, uma delícia’ – 889

889 – “Grande ideia. Gosto muito quando acho algo em redes sociais que pode fazer alguma diferença para nós. Ter que aguentar diariamente olhadas, comentários vulgares, “cantadas”, agressões, é infelizmente algo que TODAS as mulheres sabem como é. Podem ser magras, cheinhas, fofinhas, gordas, altas, baixas, morenas, loiras, ruivas, com peito, sem peito, com bunda, sem bunda, com decote, sem decote, de vestido ou de burca. Mas sempre tem aquele nojento na rua que te olha como se você fosse um pedaço de carne, esperando para ser comida. Existe sentimento pior?
Um dia, estava andando perto da minha casa, com um shorts no meio da coxa e uma camiseta, absolutamente normal. Tinha dezesseis anos, quatro anos já se passaram, mas ainda lembro claramente desse dia. A loja ficava cinco quarteirões da minha casa, quando estava voltando, tive que ouvir de um ser que estava pelos seus quarenta e tantos anos de idade, que do jeito que eu andava a minha bucetinha parecia ser raspadinha, uma delícia. Literalmente ouvi essas palavras saindo da boca daquela pessoa. Eu, no momento me sentindo uma criança indefesa e vulnerável na rua, olhei assustada, e simplesmente voltei a andar o mais rápido que pude. É difícil descrever o sentimento que passa dentro de nós nesses momentos. Eu namorava na época, liguei para o meu namorado assustada, mas não tive coragem de contar pra ele o que aconteceu de verdade, só contei que um cara nojento mexeu comigo na rua e eu estava me sentindo mal. Fiquei com vergonha de falar da situação, e pensando bem, acho que nunca tinha contado pra alguém isso… Lembrando agora, gostaria de voltar pra situação, tirar aquele cara do carro, e dar um belo chute no seus testículos, impossibilitando-o de um dia vir a ter filhos. Quem tem coragem de agredir verbalmente uma menina de dezesseis anos dessa maneira, não merece ter uma filha um dia na vida. Força para nós mulheres, nós precisamos.”