Um cara começou a me seguir – 792

792 – “Eu cursava uma segunda faculdade, na cidade vizinha onde eu morava.
Na época, trabalha também, de forma que estudava de noite, e com isso muitas vezes se eu não saísse mais cedo da aula, eventualmente perdendo matéria, eu chegava em casa facilmente depois da meia noite e meia, pegando o último metrô e tal. Com sorte, chegava ainda a tempo de ter movimento na rua.

Uma noite, depois de uma aula puxada, acabei saindo tarde por não querer perder um conteúdo complicado. Era meia noite e pouca, eu saindo da estação do metrô, e um cara começou a me seguir.

Bate aquele pensamento de que já era, ia perder meu celular se não apertasse o passo pra sair de perto, e sei que comecei a ouvir a maior seleção de baixaria que já ouvi na minha vida. Muitas obscenidades, e eu sozinha na rua, quase correndo por medo de andar muito devagar mas também com receio dele se animar com perseguição e me alcancar.

Cheguei em casa assustada, tomei um banho chorando porque eu não pude fazer nada, com uma vontade de num mundo paralelo ter sei lá, chegado algum policial pra abordar a pessoa, algum carro atropelar a criatura e livrar a humanidade deste ser… ALGO ter acontecido pra eu não ter me sentindo tão vulnerável e patética.

No outro dia que fui falar pra minha mãe o que houve, com moderação sobre a cena porque não queria que ela soubesse o que houve de fato pra não passar nervoso, pois já morava na capital e meus pais ficaram no interior. Acabamos “decidindo” que o melhor era deixar a faculdade pra lá pois eu já tinha uma graduação e estava complicado conciliar a rotina de trabalho e estudo (e possibilidades de coisas ruins acontecerem no trajeto pra casa…).

Abandonei a faculdade sem explicar para os colegas ou pra direção, e até hoje evito sair sozinha de casa no período da noite.”