um motoqueiro passou por mim me olhando dizendo pra eu chupar ele – 808

808 – “Eu sempre que ando na rua recebo “cantadas” mas posso dizer que sempre foram leves, como assovios, falando sobre minhas tatuagens, um linda ou gostosa. Sempre me incomodou mas pra mim ainda eram leves. Porque conversando com amigas minhas, elas sempre me contavam que passavam por coisa pior ou que conheciam mulheres que tinham passado por coisas piores. Ouvindo e vendo coisas bem nojentas ehorríveis. Mas ontem consegui entender melhor o que era passar por algo pior..
Ontem de manhã, pelas 9h fui ao mercado, que fica 5 minutos da minha casa. Nesses 5 minutos, um cara numa caminhonete buzinou pra mim eu só ergui minha mão mostrando o dedo do meio. E segui meu caminho, tipo 2 minutos depois, eu parada num semáforo, um motoqueiro passou por mim me olhando dizendo pra eu chupar ele, fazendo gestos como se tivesse batendo uma punheta. Novamente ergui o dedo do meio olhando pra cara dele, e ele ironicamente ainda gritou, “não faz isso não”, e saiu fora.
Fiquei pensando, eu não posso sair de short (nem de calça, nem de casaco, nem nada aliás), na rua, mesmo sendo as 9h da manhã, que eu sou vítima de assédio. Juro que nos dois casos, principalmente do cara da moto, eu tive vontade de arrebentar a cara dele. Contei pra uma pessoa sobre os acontecidos, e a pessoa logo me disse “você devia ter tacado uma pedra nesse filho da puta”. Acho que esse é o jeito, ficar com uma pedra ou algum tipo de arma pra descontar a raiva se precisar, num verme desse. Ou é isso, ou é voltar pra casa com uma baita tristeza por passar por isso todo dia e saber que todas a mulheres passam também, e se sentindo impotente.”