vendo nossa inusitada reação ele pegou sua moto e foi embora – 948

948 – Ontem dia 29 de novembro de 2013 eu, minha tia e uma amiga decidimos dar uma volta na noite iluminada de Santa Fé do Sul, como todo jovem que quer se divertir ouvindo música e freqüentando lugares onde haja uma interação social com grupos diversos. Acontece que ao chegarmos na conveniência de um posto de gasolina onde se encontravam alguns jovens em um grupo fomos abordadas por um deles que direcionou dizeres grosseiros para mim, me perguntando o meu nome e pejorativamente me classificando , ao que revidei dizendo:

– Por favor, páre, isso é desconfortável!

Neste momento o indivíduo em questão começou a me agredir verbalmente, proferindo coisas como “Sua metida, grossa, eu estou te elogiando e você faz isso?”, “Eu ganho vinte mil reais por mês”, ao que respondi “Não sou nenhum produto, não me importa sua renda”, minha tia e minha amiga revoltadas também me defenderam. O rapaz começou a nos intimidar grosseiramente e gritar, pensando que iríamos nos esquivar com sua demonstração de “Macho alfa”, neste momento viramos em sua direção e chamamos ele para uma briga corporal (No momento de ódio juro que teria batido nele), vendo nossa inusitada reação ele prontamente pegou sua moto e foi embora.

Algumas pessoas (a maioria) diriam que a culpa era minha pela minha roupa curta ou por ter revidado (afinal de contas homens são assim mesmo). A culpabilização da mulher é uma das maiores armas contra nós mesmas, que muitas vezes as próprias vítimas deste machismo social propagam, haja vista sua condição material de naturalização desta misoginia.

Não me arrependo do que fiz, tampouco minhas companheiras, e estamos disposta a fazer isso enquanto nos tratarem como produtos, como subalternas, independente da coerção social.

Querem nos denominar RADICAIS ou PUTAS? Pois bem, só não pensem que soará como ofensa!

Chryslen Mayra, Evelyn Cristina e Lunara Galvez