Violência doméstica – 623

623 – Fui a delegacia pegar a medida protetiva quanto ao ocorrido da semana passada, cheguei por volta das 11:30 porque eles dão poucas medidas por dia e abriria as 13hr. Logo depois de mim chegou uma moça que aparentava ter uns 25 anos, e logo começou a puxar conversa comigo, e quando vi já estávamos compartilhando várias histórias de nossas vidas referente ao machismo e etc. Bom, a história dela me surpreendeu muito, ela teve o primeiro filho aos 18 anos, e um tempo depois “casou” com o atual marido dela, com quem tem um relacionamento a quase 10 anos.  Ela me disse que no inicio ele era um ótimo pai e esposo, mas que depois de um tempo ele começou a sair para beber, alegando que ia para a casa da mãe, um dia ela o seguiu e descobriu a mentira e a partir dai começou o tormento dela. Ele tem um caso com uma menina mais nova, que agora tem 15 anos.. E que a menina inferniza a vida dela de certa forma, o que eu considerei que a menor é só mais uma vítima disso.  Ela disse que a uns dois anos atrás, ela já havia registrado B.O, pelas ofensas dele, e que ele estava começando a cercar ela dentro de casa, exigindo sexo . E no mês passado ele a espancou, porque tinha chegado bêbado em casa, que ela tinha ficado com várias marcas, mas nada tinha feito em relação a isso. No sábado pra domingo ele chegou bêbado novamente e com um chupão, ela no auge do descontrole brigou pelo chupão, nisso ele começou a enforcar, ela estava com marcas no pescoço, cheia de roxos e com o ouvido roxo tb. Eu me assustei muito. Ela me disse que não pode sair de casa, ele as vezes tranca ela, ela não fala com vizinhos por medo dele machucar alguém.  O maior medo dela é ele machucar os outros por ter contato com ela ou que ele tire os dois filhos que eles tem, ela me confessou que já cogitou se matar . Ela me disse que a coisa que ela mais queria na vida é que ele saísse da casa dela, que já tentou trocar o cadeado, chave e afins, mas foi sem solução.  Tentei ajuda-la da melhorar maneira através do dialogo, apoia-la a pegar a medida protetiva e procurar um abrigo, fazer algo para que ele não saiba onde estivessem.  Depois fui dar o meu depoimento para pegar a medida protetiva, e por sorte tinha várias outras provas comigo pro meu caso. A escrivã me disse que fiz corretíssimo, que parece coisas tão banais, mas que tem tantos casos que terminam pior partindo desses pequenos atos de machismo.  Sai de lá me sentindo um tanto melhor, mais segura de certa forma.