“Vocês fizeram eu voltar pra cá, agora vai falar na minha cara!” – 1108

1108 – Toda vez que somos assediadas na rua acredito eu que ficamos TÃO constrangidas e nervosas que não conseguimos nem pensar em uma boa resposta. Porém nesse dia, me empoderei.

Faço musculação em uma academia que fica ao lado de uma oficina de carros, onde o movimento e o assédio é sempre constante. Como qualquer pessoa normal, frequento a academia de shorts/bermuda legging, regata e tênis e, talvez por esse motivo, toda vez que passo pela oficina sou obrigada a ouvir comentários e cantadas daquelas de te desanimar tanto a ponto de querer voltar pra casa (aquele famoso discurso “se ta vestida assim, é porque gosta de ouvir”).

Um dia saindo do treino passei pela oficina; os caras que trabalham lá notaram minha presença, comentaram entre si, e esperaram eu atravessar a avenida pra começarem a gritar coisas do tipo “ei gostosa, nossa você é linda, volta aqui, me passa seu telefone, ha ha ha”. Todo mundo que estava passando pela avenida na hora ficou olhando, e minha raiva foi tão grande que eu decidi atravessar a avenida de novo (que por sinal é super movimentada), parei na frente dos caras e falei: “O que você quer comigo? Vocês fizeram eu voltar pra cá, agora vai falar na minha cara!”

O grupo tinha mais ou menos uns cinco homens, mas apenas um deles se pronunciou, “Vixe, menina, não falei nada não…” ele respondeu sem graça, então eu falei:

“Você tá achando o que? Você tá me tirando de louca? Eu não sou surda não, eu não te dei liberdade pra você falar esse tipo de coisa pra mim. A partir de agora eu vou passar por aqui TODOS os dias, você vai me ver TODOS OS DIAS e não vai falar NADA. Demorou?” O cara me olhou com olhar de que, se não tivesse muita testemunha ali, iria fazer uma besteira comigo. Depois só acenou que “sim” com a cabeça e eu retomei meu caminho.

Com raiva de mim ou não, querendo fazer algo contra mim ou não, mostrei pra ele que de uma forma ou outra eu sou capaz de me defender, que eu tenho direito de ir e vir, e ele ser um completo idiota não dá o direito de me assediar. Voltei pra casa tranquila. Nunca mais precisei levantar a voz voltando do treino.